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Fazer “aquilo que você ama” versus a “ditadura da felicidade” no trabalho

É isso. Ouça a sua voz interior. Não a ignore. E obedeça o que ela estiver lhe dizendo.

É isso. Ouça a sua voz interior. Não a ignore. E obedeça o que ela estiver lhe dizendo.

Muito se tem falado sobre “trabalhar com aquilo que se gosta”, “fazer o que se ama”, “trabalho com propósito”, ter uma “missão” na carreira e na vida. Tanto na vida executiva quanto no empreendimento.

De um lado, isso já virou clichê. Daquelas conversas que a gente já não aguenta mais ouvir. De outro, como sempre acontece, já tem gente se insurgindo contra essa “obrigação de ser feliz”, contra o que seria uma “ditadura da felicidade”.

Gostaria de dizer o seguinte:

1. Carreira é como casamento. Você precisa escolher bem. Trata-se de uma relação de longo prazo. E você precisa escolher com o coração, pela paixão. Mesmo sem saber como fará para pagar o aluguel ou para mobiliar a casa ou para por comida em cima da mesa ou para arcar com a escola dos futuros filhos. Quando você está com a pessoa certa, passa a ver o mundo e as coisas que de outra forma. Suas prioridades mudam. O que você considera “sucesso” também. E, no fim, acredite, tudo dá certo. Em termos práticos, sempre acabamos sobrevivendo. Então, no final das contas, já que chegaremos “lá” de um jeito ou de outro, o que importa mesmo é você ser feliz no processo, é o tanto de alegrias e de sorrisos que você experimenta ao longo do caminho.

O contrário disso também é verdade: quando você está com a pessoa errada, mesmo que tudo dê “certo”, a coisa já deu errado, já começou errada, está irremediavelmente errada. Na carreira, da mesma forma, quanto mais você avançar por uma estrada que não é a sua, mais você se afastará de si mesmo. Nesse cenário – desolador – quanto mais você der “certo”, mais “errada”, ou errática, será a sua vida profissional.

Você projeta para a sua vida amorosa uma relação quente, apaixonada, com tesão, com sexo bom, com cumplicidade, olho no olho, intensidade – ou uma relação morna, baseada em interesses e em conveniência, sem prazer, sem intimidade, marcada pela distância e pela indiferença entre os consortes? Com a vida profissional, na relação entre você e o trabalho, é a mesma coisa. Continue lendo »

Você tem vergonha de vender?

Tom Cruise aparece de modo estourado nos cartazes não porque ele é bonito ou atua bem - mas porque ele é um grande vendedor.

Tom Cruise aparece de modo estourado nos cartazes não porque ele é bonito ou atua bem – mas porque ele é um grande vendedor.

O que a Gisele Bündchen faz para viver?
Desfila, tira fotos, posa para capas de revista?
Não. Ela vende.

E Tom Cruise, o que ele faz?
Lê roteiros, interpreta personagens, produz filmes?
Não. Ele vende.

E Paulo Coelho?
Escreve, lê, medita, sonha, estuda?
Não. Ele vende.

E o padre ou pastor da sua Igreja? E o seu médico e o seu dentista? E a professora do seu filho?
Eles vendem.

Todo mundo está vendendo alguma coisa. Todo mundo tem alguma coisa para vender. É assim que nos conectamos economicamente às outras pessoas – por meio de trocas de valor. Eu tenho algo que você precisa e eu preciso de algo que você tem. Continue lendo »

O grande empreendedor sabe se dar ao respeito – mas também sabe a hora de se desrespeitar um pouquinho

O empreendedor precisa estar pronto para ser seu melhor amigo - e seu pior inimigo.

O empreendedor precisa estar pronto para ser seu melhor amigo – e seu pior inimigo.

O empreendedor precisa ter grande respeito por si mesmo. A primeira admiração e a primeira confiança que ele precisa conquistar são as dele mesmo. Ele vai precisar muito desse apoio interno – de si para si. É nesse foro íntimo, mais do que em qualquer outro lugar, que reside tanto a energia para ir adiante, superando qualquer adversidade, quanto as bananas de dinamite que podem botar tudo abaixo, inclusive bons projetos em curso.

Será preciso ter autoestima para acreditar em si mesmo, no seu potencial, na sua própria capacidade – especialmente naqueles momentos em que ninguém mais à volta aposta um centavo na sua visão ou na sua capacidade de executá-la bem.

Será preciso fé – a capacidade de acreditar em algo que não é possível provar, de acreditar no próprio taco, de ir adiante munido apenas da intuição de que as coisas darão certo e de que há momentos na vida em que é preciso crer para ver.

Isso é convicção em si mesmo e nas próprias ideias. Isso é respeito por si mesmo. Continue lendo »

Como fazer sua empresa crescer mantendo o espírito de startup?

Como crescer sua empresa de modo a parar de empurrar pedra montanha acima - mas sem também virar um hamster correndo sem sair do lugar numa gaiola?

Como crescer sua empresa de modo a parar de empurrar pedra montanha acima – mas sem também virar um hamster correndo sem sair do lugar numa gaiola? (Imagem: Vichare/ www.entrepreneurfail.com)

Toda grande empresa já foi uma startup que trouxe uma mudança ao mercado, quebrou um paradigma, atendeu a uma necessidade de um jeito novo, e deu certo com a sua oferta de valor.

Rapidamente, no entanto, a empresa que quebra o paradigma anterior passa a defender com unhas e dentes o novo paradigma – que ela criou. E aí os nômades viram sedentários e os caçadores viram agricultores. E quem trazia a mudança vira um inimigo das transformações, e quem era o arauto do novo se torna avesso às novidades. E quem assumia os riscos de fazer diferente perde a coragem de sair da sua zona de conforto. E quem era inovador, às vezes disruptivo, se torna um mero reprodutor de atividades padronizadas – um sujeito quase sempre apartado, por vontade própria, da inspiração e da criatividade.

Quando você troca o sonho pelo ceticismo, você deixa de ser empreendedor para virar empresário. Esse é o momento de acender a luz amarela, parar por um instante e refletir se é isso mesmo que você quer fazer com sua carreira, com seu empreendimento e com sua vida. Continue lendo »

Você está construindo um negócio para viver ou para vender?

 

Quer construir um negócio de impacto ou um negócio de escala?

Quer construir um negócio de impacto ou um negócio de escala?

Há vários jeitos de você pensar um negócio.

Você pode, por exemplo, escolher entre criar um negócio de escala ou um negócio de impacto. Trata-se de motivações bastante distintas.

Num negócio de escala, você quer crescer, escalar o negócio (aumentado as rapidamente receitas sem a necessidade de expandir os custos na mesma medida), pivotar logo a sua empresa (produzindo novos negócios a partir do eixo central do negócio original), expandir a operação, atender mais gente, faturar mais, aumentar o valor de mercado da sua empreitada.

Num negócio de impacto, você quer mudar o mundo para melhor, quer gerar um legado, quer causar transformações positivas nas comunidades em que está inserido. Você quer retornar ao máximo, para sociedade, aquilo que recebe dela.

Num negócio de escala, seu objetivo é dominar o mundo, acumular dinheiro, ficar rico. Num negócio de impacto, seu objetivo é dar sua contribuição para a construção de um mundo melhor, mais justo e mais equilibrado. E, claro, quer receber dinheiro suficiente para poder viver disso, com um modelo de negócios sustentável. Continue lendo »

Você já tem um CNPJ para chamar de seu?

 

Sociedade em rede, formada por milhares de pequenos empreendedores ultraespecializados: trabalhadores do mundo todo, empreendei – não tendes nada a perder além de vossos grilhões!

Sociedade em rede, formada por milhares de pequenos empreendedores ultraespecializados: trabalhadores do mundo todo, empreendei – não tendes nada a perder além de vossos grilhões!

Sim, o emprego formal, como o conhecemos, está acabando. Tem cada vez menos ofertas para bons cargos nas empresas. E cada vez menos pessoas dispostas a mergulhar de cabeça na vida executiva.

Sim, há cada vez mais pessoas interessadas em tocar seus próprios negócios – e suas próprias vidas – fora do mundo corporativo, de modo mais criativo, em atividades mais próximas daquilo em que acreditam e daquilo que querem para si.

Sim, os novos negócios que surgem nesse cenário tendem a ser pequenos – inclusive porque não têm a pretensão de crescerem e de virarem empresas enormes. Pasme: nem todo empreendedor deseja ser um empresário.

Isso cria um novo cenário para o mundo do trabalho.

Oportunidades haverá, muitas. Empregos, nem tanto. Vamos trabalhar mais por projetos, em contratos com começo, meio e fim. Você não entregará toda a sua força de trabalho a um só empregador. Será um mundo de relações efêmeras – que duram o tempo que fizerem sentido – e não de relacionamentos engessados, obrigados por lei. Namoraremos muito mais. E lançaremos muito menos mão do matrimônio. Continue lendo »

Como numa mesa de pôquer

Apostar mais ou cair fora?

Apostar mais ou cair fora?

Você é empreendedor? Está pensando em empreender? Então saiba que um novo negócio não dar certo não é o problema. Ouvi isso de um sócio, anos atrás. Era um cara escaldado, que já tinha aberto e fechado várias empresas. Quando uma iniciativa mostra claramente que não vai adiante, a decisão a tomar é fácil: liquida-se a fatura e parte-se para outra. Não há vergonha alguma nisso.

Quem está no empreendimento tem que estar preparado para essa eventualidade. Todo dia um cliente pode entrar e todo dia um cliente pode sair. Todo dia você pode acordar e ver pela janela a sua horta verdejando – mas pode também vê-la esturricar ao sol, inapelavelmente, ou então ser devorada por uma nuvem implacável de gafanhotos. É do jogo. Basta que você esteja preparado para dar baixa naquela iniciativa e começar outra.

O grande problema, como colocou meu ex-sócio, não é a “merda”, mas a “meia merda”. Quando o negócio não está indo para frente mas também não está ruim o suficiente para que você perca as esperanças. Aí é que mora o perigo. Aí é que você pode perder um bocado de dinheiro. Na hesitação entre ir embora e continuar tentando, há um poço sem fundo.

Num dia você ficará pensando que o melhor é realizar logo o prejuízo e parar de enfiar tempo e grana numa operação que não mostra o menor sinal de que vá retornar esse investimento. No dia seguinte, você pensará que é preciso ter fé, que é preciso ter coragem, que é preciso insistir mais um pouco, que se fosse fácil qualquer um faria, que é preciso ralar para ganhar. Continue lendo »

De funcionário público a empreendedor

Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Um companheiro de ingenuidade me escreve:

“Acompanho seu Manual há muito tempo. E confesso que tenho andado inquieto. Talvez eu já estivesse insatisfeito quando comecei a lê-lo, só não havia me dado conta. Tenho 35 anos, sou funcionário público. Achei que estabilidade era tudo o que eu queria e que depois de passar num concurso minha vida profissional não seria mais preocupação. Estabilidade, pouca pressão, bom salário… E muito tédio! Sinto vontade de empreender, de fazer algo novo, de fazer a diferença no mundo. Trabalho numa área absolutamente burocrática. Queria realmente começar uma carreira nova. O que tenho vontade de fazer não tem nada a ver com o que fiz até o momento. Será que ainda dá tempo? Sou pai de família, mas tenho um pé de meia, que me daria algum folego até começar a ganhar dinheiro numa área nova… Vale a pena tentar? Por onde começar? Estou precisando de ajuda, Adriano.”

Caro amigo, Continue lendo »

Dá para empreender dentro de uma grande corporação?

Intrapreneur ou extrapreneur?

Intrapreneur ou extrapreneur?

Tem nego criativo e inovador que você olha e diz – “puxa, se ele (ou ela) faz isso tudo do nada, se constroi tudo isso a partir do ar, imagina se estivesse numa estrutura, com mais capital, com mais recursos e expertises a sua disposição, com o apoio de um sistema mais sólido e bem montado”. Geralmente essas figuras disruptivas são empreendedores atuando fora das grandes companhias. Ou na periferia das grandes corporações, meio contra a maré de manutenção do status quo costuma reger esse tipo de ambiente. (Ali eles são hunters no meio de farmers, são viradores incomodando o establishment com suas inquietações santas.) Gente nem sempre jovem – o critério etário está ficando grandemente irrelevante. Mas gente sempre corajosa.

Pode ser que sim, que mais estrutura e mais integração aos sistemas estabelecidos potencializassem esses inovadores e suas inovações. Mas também pode ser que não. Continue lendo »

Quando ignorar uma opinião desfavorável a seu respeito é a pior coisa que você pode fazer

Acho que o Caliper não estava certo a meu respeito. O que não quer dizer que tenha errado totalmente.

Acho que o Caliper não estava certo a meu respeito. O que não quer dizer que tenha errado totalmente.

Esses dias eu fiz um teste de aptidão profissional online, chamado Caliper, que revelou, para minha grande surpresa, compartilhada pelo entrevistador que acompanhava o processo, que eu não sou empreendedor e que não tenho agressividade comercial.

Isso me chocou, a princípio. Afinal, eu sempre fui reconhecido pelo empreendedorismo – mesmo quando ainda era funcionário. E há cinco anos vivo de iniciativa própria, sem crachá nem holerite nem patrão. Em adição, tive mais problemas ao longo da carreira por ser “agressivo”, inclusive comercialmente, do que por uma suposta passividade. Minha primeira reação, portanto, foi a de considerar o Caliper um sistema tonto demais para ser levado a sério.

Eu esperava que o teste revelasse outras coisas, talvez. Nós em áreas como relacionamento interpessoal, modos de lidar com o poder, capacidade de trabalhar em equipe etc. Esses são campos onde um cara como eu sempre tem coisas a melhorar. Mas ver apontados em mim como pontos fracos, ou negativos, exatamente a capacidade de empreender e de vender (um produto, um serviço, uma solução, uma ideia), foi algo que me causou espanto e negação.

Eu poderia tranquilamente ignorar o Caliper. Como, de certa forma, fiz, aliás. Afinal, quem acredita em testes psicotécnicos? A maioria das pessoas seguiria por esse caminho – dar as costas àquele resultado incômodo e nunca mais pensar sobre o assunto. Continue lendo »