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O pior de tudo é essa sensação brutal de insegurança

Parece que um desempregado, numa penca de países, vive melhor do que um trabalhador por aqui. Parece que é mais tranquilo você falir, em determinados países, do que empresariar no Brasil.

Parece que um desempregado, numa penca de países, vive melhor do que um trabalhador por aqui. Parece que é mais tranquilo você falir, em determinados países, do que empresariar no Brasil.

Sim, isso é o pior de tudo: a permanente sensação de precariedade. De que tudo vai desabar no próximo instante.

A economia vai bem um ano – e anda para trás por dois ou três. Mesmo quando tudo vai bem, nossas taxas de crescimento nunca chegam a ser ótimas. E quando a coisa começa a descarrilar, aí sim, somos os primeiros da fila.

Nossos fundamentos são tíbios, nossos indicadores parecer ser feitos de papelão – derretem sob a primeira chuva.

Então seu emprego parece estar sempre por um fio – independente da sua competência. Então seu negócio parece estar sempre ameaçado – porque tudo em volta é mambembe.

Tem dinheiro para caramba nesse país, mas torramos nossas riquezas alucinadamente com a corrupção. E outro tanto com a ineficiência. Nossos dois ralos eternos: a roubalheira, de um lado, e a inépcia, de outro.

Tem dinheiro para caramba nesse país, mas circulando nos lugares errados, num bocado de bolsos espúrios. Dinheiro que não potencializa crescimento, nem prosperidade, nem bem comum.

Tem dinheiro para caramba nesse país, mas a verdade é que podia, e devia, ter muito mais. (O fato de que os Estados Unidos, com sua economia mastodôntica de quase 17 trilhões de dólares, cresceu 3,7% no mesmo trimestre em que nós, com nossa economia emergente, de 2,5 trilhões, encolhemos 1,9%, é um tapa na cara. Eles tem o porte de um transatlântico, nós é que deveríamos ter o dinamismo de uma lancha.) Continue lendo »

O emprego morreu. (Viva!)

Faça como os melhores: troque a carteira de trabalho por um projeto, corra atrás de oportunidades e não de emprego

Quando eu dividi com um amigo, há uns dois ou três anos, meu espanto diante da crise vivida pela indústria de mídia, em que ele e eu, como jornalistas, atuávamos, ele me disse: “It is the end of the world as we know it/I feel fine”. De fato, ele tinha uma visão bem tranquila, se não otimista, dos tempos por vir. E expressava esse sentimento com aqueles versos do REM – que admitem que o paradigma atual está ruindo mas que enxergam com esperança a construção de um novo paradigma. Pouco mais de um ano depois eu também já estava menos ansioso – e sentia uma quase felicidade ao me ver singrando aquelas águas revoltas com meu barquinho particular, novinho em folha, que eu havia construído com as minhas próprias mãos.

(Desde então, diga-se, o próprio REM acabou. Jogue isso no pano de fundo de todas as coisas: nada nessa vida está parado ou garantido. Tudo está em movimento. As coisas, mesmo as mais certas, estão a todo momento sendo erigidas ou desconstruídas. E dando lugar a novas coisas que por sua vez também não estão aqui para durar muito. Somos átomos em diáspora eterna, buscando sempre novas conexões. Isso é o que somos – e tudo o que nos cerca.)

O ponto, naquele diálogo com meu amigo, é que para gente como nós, o emprego é uma coisa cada vez mais nostálgica. Um item cada vez mais raro. Perto de uns 500 jornalistas estão perdendo o emprego nessa virada de ano na cidade de São Paulo – entre cortes polpudos na Folha de S. Paulo, no Estadão, na Editora Globo, no Ig, na MTV. Podemos sentar e chorar diante dessa realidade. Ou então olhar para o outro lado e enxergar as novas oportunidades que surgem para quem vive de produzir conteúdo. Se você virou jornalista imaginando que trabalharia numa grande redação, atrás de um PC bege, com holerite garantido todo fim de mês, é possível que esteja desesperado com as atuais perspectivas do mercado. Agora, se você se vê como um especialista na grande arte de contar bem boas histórias, independente do meio e do formato, os tempos podem ser os mais promissores possíveis. Eu falo da crise na indústria da mídia porque é o lugar em que eu atuo e que conheço bem. Mas outras placas tectônicas estão se mexendo em outras indústrias. E segmentos crescem e incham por conta desse movimento – enquanto outros minguam e desaparecem. E la nave va. E a vida segue. Como sempre foi, em alguma medida. E como sempre será – só que daqui para a frente com mais intensidade, em ciclos de mercado mais rápidos. Continue lendo »