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O pior de tudo é essa sensação brutal de insegurança

Parece que um desempregado, numa penca de países, vive melhor do que um trabalhador por aqui. Parece que é mais tranquilo você falir, em determinados países, do que empresariar no Brasil.

Parece que um desempregado, numa penca de países, vive melhor do que um trabalhador por aqui. Parece que é mais tranquilo você falir, em determinados países, do que empresariar no Brasil.

Sim, isso é o pior de tudo: a permanente sensação de precariedade. De que tudo vai desabar no próximo instante.

A economia vai bem um ano – e anda para trás por dois ou três. Mesmo quando tudo vai bem, nossas taxas de crescimento nunca chegam a ser ótimas. E quando a coisa começa a descarrilar, aí sim, somos os primeiros da fila.

Nossos fundamentos são tíbios, nossos indicadores parecer ser feitos de papelão – derretem sob a primeira chuva.

Então seu emprego parece estar sempre por um fio – independente da sua competência. Então seu negócio parece estar sempre ameaçado – porque tudo em volta é mambembe.

Tem dinheiro para caramba nesse país, mas torramos nossas riquezas alucinadamente com a corrupção. E outro tanto com a ineficiência. Nossos dois ralos eternos: a roubalheira, de um lado, e a inépcia, de outro.

Tem dinheiro para caramba nesse país, mas circulando nos lugares errados, num bocado de bolsos espúrios. Dinheiro que não potencializa crescimento, nem prosperidade, nem bem comum.

Tem dinheiro para caramba nesse país, mas a verdade é que podia, e devia, ter muito mais. (O fato de que os Estados Unidos, com sua economia mastodôntica de quase 17 trilhões de dólares, cresceu 3,7% no mesmo trimestre em que nós, com nossa economia emergente, de 2,5 trilhões, encolhemos 1,9%, é um tapa na cara. Eles tem o porte de um transatlântico, nós é que deveríamos ter o dinamismo de uma lancha.) Continue lendo »

Disney aos 40 [ A crise continua viva por lá ]

A sensação de crise ainda é muito forte nos Estados Unidos. Eles sentiram o golpe.

Numa terra em que todo mundo está vendendo, o tempo todo, como os Estados Unidos, a atividade central de todo mundo é comprar. Essa é a função básica do exercício da cidadania americana – exercitar o seu poder de compra. O shopping no Estados Unidos é uma atividade definidora dos valores do sujeito, da sua diferenciação em relação aos outros, de singularização dos seus gostos, das suas preferências, das suas atitudes. Você se expressa por meio dos produtos que adquire, das roupas que usa, do carro que dirige. No Brasil, o vendedor é um bocado malvisto – é o cara que quer arrancar o seu dinheiro, que quer lhe enganar. (Por isso, provavelmente, é que tem tanta gente com aversão a vender por aqui. São pessoas que detestam a ideia de se ver nessa posição desconfortável.) E o comprador também sofre – o consumidor é visto por aqui como pato. (Escrevi isso em Exame há quase 15 anos e o quadro continua o mesmo: note como a conotação de “freguês” no Brasil é negativa…) Nos Estados Unidos é diferente. O vendedor é o cara que sonha com você, que lhe corteja, que lhe coloca num pedestal, que pode lhe trazer oportunidades fascinantes e imperdíveis de compra. E o comprador, o cliente, o consumidor, bem, esse é rei. É o centro das atenções. E consumir, ser freguês de alguém, não tem nada de vexatório. Ao contrário, vexatório é não poder comprar o que você quer. É não ter ninguém querendo vender para você. Quando mais você pode comprar por lá, mais alto é o seu status social. Continue lendo »

Desejos de Ano Novo Ano

E 2010 chegou. Segunda, 4 de janeiro. O Brasil senta pé no ano em que o PIB pode crescer 6%, em que a Bolsa seguramente encostará nos 80 000 pontos, batendo seu recorde histórico, em que o Brasil pode finalmente se consolidar no cenário mundial como uma presença e não como uma promessa, com uma realidade e não como um projeto; em que uma avalanche de investidores estrangeiros ameaçam chegar ao Brasil, ávidos por entrar no jogo, comprando empresas, investindo em negócios, contratando talentos. Que venham. Que 2010 seja mesmo um estouro, um arraso, um motor funcionando com pé no fundo.

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