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Apressa-te devagar

Hurry up slowly. Pode mandar tatuar. Faz o maior sentido.

Hurry up slowly. Pode mandar tatuar. Faz o maior sentido.

A inércia é uma das grandes forças que regem a vida. Se a gente pudesse ter tudo sem precisar fazer nada, se a gente pudesse realizar as coisas sem sair do lugar, é dessa maneira que a maioria de nós escolheria viver.

Empreender é, antes que tudo, sair da inércia. O empreendedorismo é sempre dar um passo à frente, assumir riscos, desafiar as incertezas, realizar um movimento individual no sentido contrário ao jeitão como o mundo está montado e se oferece para a gente.

Portanto, é preciso espírito maker para vencer a inércia. Só com essa disposição se alça um voo solo, se encontra coragem para operar um salto de fé, se acha força para abrir os olhos no escuro e encarar o desconhecido. Sem essa gana de realizar, não se faz nada. Muito menos uma empresa. A comodidade conduz sempre ao caminho da não-realização. Quem quer fazer alguma coisa, qualquer coisa que seja, precisa sair da sua zona de conforto. Precisa estar disposto a conviver – e a administrar – uma certa taxa de incômodo constante em sua vida. Gatos gordos não empreendem.

O espírito maker, a sanha de realização, a ansiedade por criar e por inovar, conduz o empreendedor para a outra ponta da régua. Lá não se fala mais de inércia ou de lentidão, mas, ao contrário, de ultravelocidade, de fazer tudo ao mesmo tempo agora, de viver a vida no “extra mile” – a “milha extra” a que os americanos se referem quando falam do que é preciso andar a mais do que os outros quando se quer realmente fazer diferença. O risco aí é exagerar no ritmo, viciar na adrenalina da carreira sem teto, virar um empreendedor em série, perder o controle sobre a própria vida – e se tornar um escravo do trabalho.

A vida faz mais sentido nessa outra ponta da régua. Quando aceleramos, quando não ficamos nos poupando, tiramos mais do exíguo tempo de vida e de mercado que temos. No entanto, é preciso cuidar para não acelerar demais e fundir o motor. O sujeito, ao deixar de se poupar, às vezes se detona sem dó. Então é preciso criar um padrão para a vida no “extra mile”. É preciso reconhecer os próprios limites, mesmo (e principalmente) quando decidimos dar um passeio para além deles. Até porque a vida não é só trabalho. Não pode ser só isso. Nem mesmo para o mais afiado dos empreendedores. Tirar do chão um negócio bem-sucedido jamais fará sentido se para isso você tiver que enterrar um fracasso em família ou num relacionamento importante. Continue lendo »

Sabe essa coisa com a qual você sonha? Será que ela realmente tem a ver com você?

Nunca é cedo demais para você descobrir de fato quem é e o que quer da vida

Nunca é cedo demais para você descobrir de fato quem é e o que quer da vida

Recebo no meu email a seguinte mensagem:

“Já ensaiei te escrever várias vezes, fiz vários rascunhos, mas só agora resolvi enviar.

“Não sei se é bobo dizer isso, mas o seu blog é como se fosse um grande amigo. Sempre que me pego chateada eu o abro e fico lendo os posts, principalmente os que falam sobre trabalho, respondendo as angústias dos leitores.

“Estou me aproximando dos 30, e venho sentindo uma inquietação aumentar dentro de mim, relacionada a minha vida profissional. Está tudo bem na minha vida, menos nessa área. E acho que isso acaba azedando as outras áreas, porque eu fico só pensando nisso e me sinto esgotada.

“Há um pouco mais de um ano resolvi seguir o que seria um sonho, mas hoje eu não me sinto mais feliz, pelo contrário, ando bem apática. Li um post seu sobre ‘burnout’. Me identifiquei, acho que queimei a largada logo no começo e agora entrei num platô que está difícil de sair. A princípio achei que seria algo momentâneo, mas agora eu vejo que essa fase ruim já dura 6 meses. Nesse meio tempo até recebi um aumento, mas isso não aumentou a minha motivação.

“Estou um pouco envergonhada em pensar que posso ter saído do ‘rumo’, e agora não sei como fazer para voltar ao trilho certo. A aproximação dos 30 anos também me deixa ansiosa porque fico pensando que já tenho quase essa idade e não tenho um cargo bom.

“E, o pior de tudo, é que apesar de todo esse sentimento ruim, desordenado, eu não tenho ideia sobre o que posso fazer. Estou enviando currículos, pesquisando, mas fico com receio de se passar um ano e eu voltar a me sentir assim. A sensação que tenho é que não importa o que eu faça, eu sempre vou enjoar do assunto e vou querer fazer outra coisa. É normal isso?”

Minha cara companheira de ingenuidade (sim, trata-se de uma moça),

Obrigado por ler o Manual e por ter enviado esse email. Fico feliz que você encontre conforto aqui de vez em quando. Da sua mensagem, depreendo algumas coisas: Continue lendo »

No trabalho, você é um suicida ou apenas um masoquista?

Há quantas horas você está acordada? Por que está fazendo isso consigo mesma? Vá dormir. E pare de autoflagelar. Isto não atrairá o amor de ninguém. Apenas afastará as pessoas.

Tem gente que arranca os cabelos, tem gente que lacera as próprias cutículas, tem gente que come meleca de nariz. Tudo isso é ansiedade. É falta de jeito para lidar com a impermanência das coisas, com a instabilidade de tudo, com a grande insegurança que é viver.

Tem gente que se corta com gilete, tem gente que se bate e se machuca de verdade, tem gente que simplesmente não gosta de si. Tudo isso é impulso autodestrutivo, é o thanatos do sujeito operando contra ele mesmo.

No trabalho, esse tipo de comportamento também existe. Tem gente que chama o tapa, que se expõe de graça, que se mostra muito menos inteligente do que realmente é, deliberadamente, clamando pelo achincalhe, com o objetivo obsceno de apanhar mesmo – esses são os masoquistas corporativos. Continue lendo »

Que atividade você faria mesmo sem receber nada por isso?

Você está se sentindo assim, exausta, infeliz? Reveja suas escolhas. Mude a vida ao redor. Mas saiba que precisará mudar um bocado dentro de você também.

Recebo no meu email a seguinte mensagem, de uma leitora do Manual:
 
“Adriano, me formei numa das melhores faculdades de administração do país. Mas confesso que estou bem perdida! Apesar de sempre ter me saído bem e ter ótimo feedback de meus empregadores anteriores. No trabalho atual, em que estou há um ano, também me destaquei. Porém, de repente, me enchi… Bom, acho que nunca trabalhei tanto na minha vida como nesse emprego atual. É como se a pilha que eu tinha antes simplesmente tivesse acabado. A ponto de, hoje, devido ao estresse, eu apresentar todos os sintomas de burnout.

“Estou bastante infeliz e comecei a questionar o que queria fazer. De repente, percebi que sou perdida, que não sei o que quero fazer na vida. Preciso de uma definição, em vez de ficar pulando de trabalho em trabalho. Tenho medo de ser uma daquelas pessoas que vai apenas descobrir a vocação com 50 anos ou então..  jamais descobrir.
 
“Não sei o que acontece, Adriano. Não sei se talvez eu devesse mesmo é encarar a realidade e aceitar que talvez o melhor seja ficar onde estou porque a vida é assim mesmo e nem todos encontram a felicidade no trabalho. Me ajude.”  Continue lendo »

Nenhum emprego vale a sua vida

Burn out. Empresas legais não deixam isso acontecer com seus funcionários. Pessoas legais não deixam isso acontecer consigo mesmas.

Recebo a seguinte mensagem no meu email:

“Acompanho seu blog faz uns dois anos. Tenho 22 anos, sou formado em Adminsitração e sempre atuei na area de RH, em Recrutamento e Seleção. Atualmente trabalho em uma empresa de Callcenter como Selecionador de Pessoal. Outras cinco pessoas tem o mesmo cargo que eu, por causa do turn over alto que ocorre neste segmento.

“Gostaria de falar sobre algumas coisas que acontecem no meu setor que desagradam a equipe. Quando entrei nesta empresa, minha gerente me disse que eu iria trabalhar bastante devido à grande demanda. Não me importei, pois queria um novo desafio na minha carreira. Logo percebi que os horários de trabalho propostos eram demais para um ser humano manter um desempenho bem durante muito tempo. Trabalho cerca de 12 horas, das 9h as 21h todos os dias, sem excessão, e ainda venho nos sábados. Sim: todos os sábados tem carga horária de 7 horas. No começo, a equipe inteira se deixou levar. Com o tempo, todos estamos arriando.

“Com isso as pessoas que mais faziam não produzem mais tudo o que poderiam, e prejudicam o trabalho da equipe por inteiro. Alguns exemplos: pessoas que ficavam até às 21h para fazer o serviço, hoje no máximo ficam até às 19h. Mesmo com a empresa pagando horas extras, o comprometimento não é mais o mesmo. Minha vida depois que entrei nesta rotina mudou. Não consigo marcar um happy hour com amigos, vivo em função do trabalho, chegando em casa muitas vezes às 23 h, com uma hora de vida para comer algo antes de dormir, para voltar à batalha no dia seguinte. Tenho em média 40 minutos para almoçar…

“Quando a nossa equipe fez uma reunião para falar o que estava acontecendo, chegamos à conclusão de que a gestora tinha culpa em grande parte disso, pois o antigo gerente tinha uma maneira diferente de liderar. O trabalho está desorganizado, os candidatos chegam a qualquer hora, sem avisar ou marcar entrevista.

“O que devo fazer? O moral da equipe está baixo, o nível de estresse está alto e já vi algumas das minhas companheiras de trabalho irem chorar no banheiro. Apesar de tudo isso, eu gosto do serviço. Mas queria que tudo mudasse. Estou há um ano nessa situação.” Continue lendo »