Sobre smart companies, smart bosses e funcionários rebeldes

Se você não trabalha numa smart company, nem para um smart boss, você está no lugar errado, trabalhando com a pessoa errada. E se a sua empresa não é uma smart company e se você não é um smart boss, você está fadado ao fracasso como empreendedor e como líder.

Se você não trabalha numa smart company, nem para um smart boss, você está no lugar errado, trabalhando com a pessoa errada. E se a sua empresa não é uma smart company e se você não é um smart boss, você está fadado ao fracasso como empreendedor e como líder.

Ninguém tem mais capacidade de aprender do que uma criança. Ninguém tem melhor estratégia de crescimento do que um bebê. Basicamente, porque na infância temos mais dúvidas do que certezas, mais curiosidades do que verdades estabelecidas, mais vontade de aprender do que a pretensão de saber tudo. Nos verdes anos somos esponjas que sugam o máximo conhecimento possível. Se não o fizermos, morremos. Somos tábula rasa – e não livro impresso, publicado, finalizado, imobilizado. Ou seja: nascemos espertos – exatamente ao percebermos que não sabemos nada. E aí, na medida em que vamos aprendendo alguma coisa, vamos nos tornando burros – esquecemos da nossa ignorância fundante, esquecemos como se aprende, esquecemos como é bom aprender. Vamos nos tornando arrogantes. E acabamos com a pior combinação possível – desconhecimento e soberba.

Smart company é uma companhia que mantém viva sua capacidade de aprender. Que se move rápido porque está aberta ao novo, a rever seus paradigmas, a aprender novos conceitos. Assim são as fast companies. Assim são as learning organizations. Assim são as empresas líquidas – que têm grande capacidade de se adequar às mudanças cada vez mais frequentes e bruscas no ambiente de negócios. Assim são as empresas que sabem que nada mais é perene, que a única certeza que podemos ter é que tudo continuará em constante transformação e que, portanto, as relações que estabelecemos com clientes, consumidores, parceiros, fornecedores são sempre relações efêmeras – que têm começo, meio e fim e que duram apenas o tempo que têm que durar.

Smart boss é o cara que está aberto às boas ideias e aos grandes talentos, venham eles de onde vierem, estejam eles onde estiverem. Um chefe assim não se omite, não se exime das suas responsabilidades de líder – mas que sabe ouvir. Quem trabalha com um smart boss aprende muito – mas o smart boss também aprende pacas com quem trabalham com ele. Ele dá a última palavra – mas só depois de ouvir todas as palavras que desejarem ser ditas, e de ponderar sobre elas.

Se você não trabalha numa smart company, nem para um smart boss, você está no lugar errado, trabalhando com a pessoa errada. E se a sua empresa não é uma smart company e se você não é um smart boss, você está fadado ao fracasso como empreendedor e como líder. Porque você perderá os melhores talentos. E, com eles, as melhores ideias. E essa é verdadeira competição – atrair e reter os melhores cérebros e as melhores mãos para inovar, para inventar o que ainda não existe, para fazer brotar o futuro no seio do presente.

Daí a importância de cultivar rebeldes na sua organização. Gente inconformada. Nós geralmente nos esquivamos desse tipo de gente. E não sem motivo. Os rebeldes, por vezes, são um saco de administrar – e de suportar. Mas é aí que mora a criatividade, é daí que surgem as grandes disrupções que produzem novos produtos e novos serviços – da inconformidade de gente talentosa que consegue imprimir uma polaridade positiva e um sentido produtivo a esse sentimento. (Quando isso não acontece, sobra apenas o mau humor, a atitude corrosiva, o cinismo estéril. Aí não há quem os aguente.) O seu desafio e a sua arte como gestor, e como líder, será canalizar a insatisfação desses talentos para fins criativos.

A maioria das empresas (para a infelicidade delas mesmas) está comprometida com as conquistas do passado, e está muito ocupada em preservar a sua posição no presente. Acabam não se lembrando de reinventar sua posição de modo a permanecerem vivas e relevantes amanhã, quando as condições do mercado forem outras. Quanto mais líder e bem estabelecida a empresa, mais isso é verdade. Essa postura é muito perigosa para essas organizações. Mas é uma ótima notícia para você. Significa que há um enorme espaço para você entrar no mercado, olhando para frente, e propor novas entregas, e gerar novos valores, e atender a novas demandas, e a fazer e acontecer. Basta que você não faça como a maioria das empresas, que persegue os rebeldes a pauladas, em suas fileiras inteiras, como se eles fossem ratazanas prenhes.

Sim, os right brainers oferecem risco. Sim, eles são difíceis de controlar. Mas são eles que fazem o mundo girar com suas visões aquilinas, com suas apostas de quem sabe a hora em que não se pode piscar, com sua disposição para a disrupção, com seus motores de alta octanagem na hora de realizar.

Nós, todos os outros, olhamos para eles – metade do tempo com admiração, metade do tempo com medo – e os seguimos, muitas vezes torcendo (nem sempre secretamente) para que eles estrebuchem e para que o mundo volte a ser pequeno, fácil de entender, uma bola que gira devagar, numa velocidade que não nos tire da zona de conforto nem destrua em nosso coraçãozinho a sensação que tudo está no seu lugar e sob controle.

Um amigo me diz, sobre a escassez de smart companies, e sobre a falta de smart bosses dentro das empresas, e sobre a enorme dificuldade de inovar no mundo corporativo: os incompetentes se unem. E torcem contra. E agem de modo refratário. E operam como anticorpos. Isso pode se dar tanto no nível dos indivíduos, entre executivos defendendo seus galinheiros, quanto entre empresas, defendendo seu status quo no mercado. Ou seja: novos competidores com propostas inovadoras podem sofrer tanta reação – e bullying – das empresas estabelecidas quanto pessoas físicas ao entrarem em determinados ambientes corporativos.

Nunca subestime o poder do sentimento de corpo, da reação orgânica dos que estão dentro, acomodados, contra um novo entrante que esteja buscando seu lugar ao sol sem a disposição de ter, para isso, que se tornar um mero reprodutor das práticas estabelecidas. Poucas coisas conectam tanto as pessoas, ou as empresas, mesmo aquelas que de outro modo jamais se aproximariam umas das outras, quanto uma ameaça em comum, nova, externa, algo que pareça ter o potencial de alterar o equilíbrio de poder e o modo como as coisas sempre foram feitas por ali.

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