Como fazer sua empresa crescer mantendo o espírito de startup?

Como crescer sua empresa de modo a parar de empurrar pedra montanha acima - mas sem também virar um hamster correndo sem sair do lugar numa gaiola?

Como crescer sua empresa de modo a parar de empurrar pedra montanha acima – mas sem também virar um hamster correndo sem sair do lugar numa gaiola? (Imagem: Vichare/ www.entrepreneurfail.com)

Toda grande empresa já foi uma startup que trouxe uma mudança ao mercado, quebrou um paradigma, atendeu a uma necessidade de um jeito novo, e deu certo com a sua oferta de valor.

Rapidamente, no entanto, a empresa que quebra o paradigma anterior passa a defender com unhas e dentes o novo paradigma – que ela criou. E aí os nômades viram sedentários e os caçadores viram agricultores. E quem trazia a mudança vira um inimigo das transformações, e quem era o arauto do novo se torna avesso às novidades. E quem assumia os riscos de fazer diferente perde a coragem de sair da sua zona de conforto. E quem era inovador, às vezes disruptivo, se torna um mero reprodutor de atividades padronizadas – um sujeito quase sempre apartado, por vontade própria, da inspiração e da criatividade.

Quando você troca o sonho pelo ceticismo, você deixa de ser empreendedor para virar empresário. Esse é o momento de acender a luz amarela, parar por um instante e refletir se é isso mesmo que você quer fazer com sua carreira, com seu empreendimento e com sua vida.

Toda startup quer se estabelecer. E é justo e lícito que o deseje. Só que ao se estabelecer, ela se torna um estabelecimento. Porque é isso que empresas são: estabelecimentos. E aí ela passa a operar pela lógica e pelas regras do establishment.

Para a startup, a questão é: como crescer, e complexificar a sua estrutura e a sua operação, e passar a atender mais clientes e a faturar mais, e ter mais funcionários e mais entregas a realizar, gerando escala e um padrão de qualidade reprodutível, sem, no entanto, perder a curiosidade, a ousadia, a agilidade e a coragem.

E sem se deixar também paralisar pelo medo do erro. Há quem diga que só é possível aprender errando. E que é por isso que as corporações, ao contrário das startups, têm capacidade tão baixa de aprender (e, portanto, de absorver o novo e de se adaptar a ele): elas combatem o erro, o proíbem, o tratam como pecado ou tabu. Quando não há rupturas (e erros são isso: quebras de polaridade negativa), também não há disrupção – quebras de polaridade positiva que muitas vezes reinventam negócios moribundo ou empresas fadadas à obsolescência.

Para a grande empresa a questão é: como eu continuo realizando minhas entregas com qualidade, e resolvendo com excelência o meu presente, honrando a reputação que angariei no passado, sem deixar de olhar para o futuro com frescor e o entusiasmo e a mente aberta e a sede santa de um aprendiz?

Porque ou você desenvolve essa capacidade de enxergar e de sentir como um newcomer, e mantém vivo esse desejo de construir (e de descontruir e de reconstruir), ou você estará simplesmente assinando previamente a sua certidão de óbito – que, tenha certeza, será lavrada em cartório pelos seus competidores mais lépidos com máxima agilidade.

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