Para descobrir o que fazer da vida é preciso antes saber quem é você

É isso aí. "Crescer doi. Mudar doi. Mas nada doi tanto quanto ficar parado num lugar que não é o seu".

É isso aí. “Crescer doi. Mudar doi. Mas nada doi tanto quanto ficar parado num lugar que não é o seu”.

Recebo no Manual uma das mensagens mais sucintas e também mais contundentes desses anos todos de conversas ingênuas que temos travado aqui sobre carreira, felicidade profissional e outras mumunhas mais:

“Não me sinto feliz sendo pedagoga, mas também não sei o que quero fazer. Sinto como se o tempo tivesse passado e eu o tivesse desperdiçado fazendo algo que nunca desejei. Na verdade, fiz esse curso porque na minha região tinha poucos profissionais da área. E eu também não tinha como morar em outra cidade. Hoje já não me vejo com coragem para ir embora e passar mais quatro anos estudando algo totalmente diferente. Sei lá, nem sei o que quero.”

Uau. Um retrato e tanto, em duas ou três frases, do que muitos de nós vivem e sentem ao se deparar com algumas esquinas da vida. Vamos lá.

Tudo começa pelo autoconhecimento. É preciso saber o que você gosta, o que lhe atrai, o que você acha bonito e bacana, o que lhe faz feliz. E, na mesma medida, é fundamental ter bem claro aquilo que não lhe interessa, o que não lhe diz respeito, o que lhe causa enfado ou desagrado. Trata-se de um exercício fundamental. E que a gente relega por achar que é fácil demais. Trata-se, no entanto, de algo dificílimo de fazer. A gente tem muita dificuldade de se ouvir. E quando nos escutamos, temos muita dificuldade em aceitar o que estamos nos dizendo.

Qualquer coisa que você faça na vida tem que ter um propósito. Tem que fazer sentido para você. Você precisa saber por que está fazendo ou deixando de fazer algo. Ou por que tomou essa ou aquela decisão. Não para explicar isso aos outros – mas para prestar contas disso a si mesmo. Com o trabalho não é diferente. Sem um propósito, uma carreira perde o significado. E um trabalho sem sentido azeda a própria vida. A coisa mais fundamental, na hora de escolher um caminho profissional, é saber por que você o escolheu. Foi pela grana? Beleza. Foi pela segurança? Justo. Foi pela tranquilidade? Certo. Foi pelo risco? Não importa o motivo. Importa ter um motivo. E, depois, ser coerente com a vida que você escolheu para si a partir desse critério. Se você queria segurança, não reclame da falta de grana. Se você optou pelo risco, não fique com o olho comprido para o dia-a-dia de quem escolheu uma vida mais regrada e tranquila. E assim por diante.

E não dá para escolher no escuro. Sem se auscultar para saber de verdade quem você é e o que você quer. O fato de você não saber o que queria fazer da vida não é um problema. O fato de você ter optado pela pedagogia, porque naquele momento seu raciocínio lhe conduziu a essa escolha, também não chega a ser um problema – na vida e na carreira a gente opera muitas vezes na tentativa e erro, e tudo bem. O problema, a meu ver, é você continuar casada com a pedagogia tendo se descoberto infeliz nesse casamento. Nada de chorar o passado – você tentou e não deu certo, paciência, a vida é assim, siga adiante. (Se suas motivações lá atrás não foram as melhores possíveis, eis aí uma motivação a mais para pegar a estrada de novo, o mais rápido possível.) E nada de abdicar do futuro – continue caminhando, mude de cidade, estude outras coisas, conheça outras pessoas. O mundo está cheio de possibilidades. A questão continua a mesma, até porque ela é sempre a mesma: conheça-se. Descubra-se. Aceite-se. Não fique parada. Ache a sua bandeira. Vista com essas cores – com as suas cores. E seja feliz.

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1 Comentários.

  1. Nossa adorei.. A sua resposta, passo por momento assim. Estou terminando a minha faculdade, e ainda acho que não me achei.. Quando escolhi essa gestão, fiquei apaixonada.. Mas, dê uns meses pra cá me sinto.. Estranha.. Não só pela facul, mas… Também pelo o meu trabalho.. Fiz de tudo para sair do antigo trabalho, e consegui.. E hoje, não estou tão feliz… Me vejo nessas históriaa…

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