O perfeito idiota de classe média brasileiro – Parte 2

A pobreza no Brasil não é uma circunstância, uma situação conjuntural a que todos estamos expostos – é uma condição estrutural que rotula e afasta milhões de pessoas, consideradas para sempre subcidadãs. O PICMB morre de medo disso. E adora rir disso.

A pobreza no Brasil não é uma circunstância, uma situação conjuntural a que todos estamos expostos – é uma condição estrutural que rotula e afasta milhões de pessoas, consideradas para sempre subcidadãs. O PICMB morre de medo disso. E adora rir disso.

O texto de maior sucesso nos cinco anos de vida do Manual viralizou semana passada – O perfeito idiota de classe média brasileiro.

O número de leituras foi de pouco mais de 1 000 (um belo número para os padrões do Manual) para quase 17 000 em uma semana. E com quase 250 comentários – que respondi um a um. Nada mal para um blog independente. O detalhe é que essa é a segunda curva de um texto que foi publicado originalmente em 9 dezembro. Impossível precisar o que detonou essa ignição ocorrida de repente, dois meses depois. Coisas da internet.

Acho que o texto tocou num ponto importante – um padrão de comportamento que transforma muitos de nós em seres com um cartão de crédito no bolso e nenhuma ideia na cabeça. Aterrissei essa atitude na classe média – porque é ali, nesse terreno largo, em que o poder aquisitivo nem sempre é construído par e passo com a instrução, que ela pode ser encontrada com mais clareza e fartura. Mas é claro que esse comportamento acomete pessoas em outras camadas sociais. Ele pode ser visto na aspiração dos pobres e também no descaso dos ricos brasileiros.

O PICMB se traduz numa pessoa mimada, indolente, incivilizada, pouco cidadã. Que se escuda atrás de marcas e de produtos caros – porque, de resto, tem pouca coisa a oferecer. É um praticante e uma vítima da reificação – o processo de coisificação das pessoas, dos sentimentos, dos relacionamentos. O PICMB é brega no uso do dinheiro. E cafona no que pensa e no que diz – porque não se preparou para exercer da melhor maneira as suas conquistas financeiras. Acha que não precisa fazê-lo. Ele está interessado em ter, não em ser. Ou: ele só considera que é na medida em que tem.

Há outros dois aspectos que ajudam bem a caracterizar o PICMB – que, perceba, é muito mais uma função do que uma estrutura, muito mais um software do que um hardware, muito mais um sistema ético do que um determinado grupo de pessoas.

O primeiro deles: o medo bizarro da classe média brasileira de parecer pobre.

E o modo mais direto de não parecer pobre, de afirmar ou de fingir riqueza, é pagar caro. A visão que nós temos de um cara rico, no Brasil, não é a de um cara que trabalha e que economiza – mas de alguém opulento e perdulário. Por isso os preços aumentam à nossa volta – e o PICMB acha bonito pagar por eles. Pagar menos é erodir valor. Pagar caro, ao contrário, deixa todo mundo ver que você não é pobre. O tipo de consumismo que nutrimos entre nós tem esse viés: as coisas tem que ser caras. O uso grosseiro de marcas famosas vem daí – elas não são nada além de uma sinalização pouco sutil para todos os outros de que você tem dinheiro para torrar naquilo. (Mesmo os produtos comprados em liquidações, nos outlets de Orlando, que lotamos com nossa voracidade vazia, não se despem dessa função, ao gritarem: “eu estive em Orlando, você não”. A exclusividade é uma forma de segregação social e econômica que nós adoramos praticar.) Não raro, o único valor de um produto é esse: ser caro. Ele nem é tão legal, mas você usa porque todo mundo sabe que ele custa os olhos da cara. Ninguém acha que você é um tremendo pato agindo desse jeito – todo mundo acha você que é bacana. Nós devotamos ao PICMB uma admiração (sempre banhada em veneno) que lhe faz vibrar por dentro.

O PICMB acha que reclamar dos preços, ou discuti-los, ou pechinchar, ou procurar pelas melhores ofertas, é coisa de pobre. E nós temos horror a isso – “pobrismo”. Trata-se, obviamente, de um trauma terceiro-mundista, de quem foi pobre por muito tempo, e de quem ainda convive muito de perto com a pobreza. Escandinavos, holandeses, belgas e suíços, por exemplo, não tem essa dicotomia instalada dentro de si. Por isso se dão ao luxo de dar mais valor ao seu dinheiro e de não enxergar sentido na ostentação. Nós, ao contrário, respiramos essa dicotomia. Nosso jeito de lidar com ela é ampliar, entre nós, o contraste entre quem tem e quem não tem, ao invés de tentar incluir todo mundo para que mais pessoas possam ter. Vivemos para mostrar. Para agredir o outro com aquilo que logramos adquirir. Por isso, para o PICMB, a regra é comprar sem olhar. Essa irresponsabilidade com o dinheiro, essa falta de amor à economia, nos define. Os americanos, para não irmos muito longe, respeitam muito cada dólar que tem na carteira. Por isso o dólar é valorizado. A valorização cambial de uma moeda começa na valorização que os usuários fazem dela individualmente, dentro do seu próprio bolso. Como os americanos, nós elegemos o dinheiro como um deus – só que um deus que precisa ser imolado diariamente no fio do cartão de crédito internacional com limite estourado.

Esse pudor de parecer mesquinho é o que permite que os estacionamentos e as sobremesas, para citar dois preços que inflacionaram barbaramente nos últimos anos, aumentem descaradamente numa cidade como São Paulo. A gente paga. Então a primeira hora do valet em qualquer lugar, de 8 ou 10 reais, passou, num par de anos, para 20 ou 25 reais. Porque a gente paga. Por isso um taça minúscula de qualquer coisa doce após uma refeição passou de 10 ou 12 reais, para 25 reais em qualquer restaurante bem posicionado na cidade. Porque a gente paga. A gente não reclama – porque regatear preço é coisa de pobre. Por isso o governo aumenta seus gastos e a nossa carga tributária todo ano e tudo bem: a gente continua pagando. As tungadas vem de todo lugar – do IPTU ao serviço de controle da emissão de gases do seu carro (uma piada de humor sombrio aplicada aos paulistanos todo ano). A gente paga. A gente assente. Enquanto isso nos separar daquelas pessoas que não podem pagar, continuaremos pagando – porque isso nos faz sentir bem.

O outro aspecto que ajuda a caracterizar o comportamento do PICMB é um individualismo atroz, que embute um total descaso pelo outro e que obstaculiza a construção de uma Nação com N maiúsculo sobre esse país com p minúsculo.

Trata-se de tentar sempre garantir privilégios individuais imediatos ao invés de crescer como sociedade a médio prazo. A magistrada que bloqueou recentemente, no bairro do Humaitá, no Rio, um trecho de calçada em frente à sua casa, para poder manobrar com o seu carro, é a cara desse Brasil. Somos um país de posseiros. O país da apropriação indébita. Ao invés da soma dos interesses privados gerarem o bem público – afinal, é do interesse comum, de cada um de nós, que seja bom para todos –, a gente parte para o cada um por si e para o quem pode mais chora menos. Assim não construímos sistemas – porque sistemas dependem de que cada parte funcione por si só mas também para o todo. A gente não liga para o todo – temos a ilusão de que se resolvermos o nosso está bom. (Enquanto eu estiver bem dentro do meu carro, que se exploda o metrô!) Adoramos prerrogativas, vantagens especiais, contarmos com mais direitos do que os outros. Somos fascinados por camarotes, por bocas livres, por crachás que deem acesso a lugares onde os outros não chegam. Eis o ponto: nada é mais distante, insignificante e sem valor para um brasileiro do que outro brasileiro. Daí a vida valer tão pouco por aqui. O outro não vale nada. Amarra o ladrão no poste e lincha. Problema dele, não meu. O PICMB cuida de si e dos seus – e cada um que cuide de si. Não existe solidariedade no Brasil. Nem o pensamento coletivo, o sentimento de conjunto. Somos um empilhamento mal combinado de milhões de indivíduos que só querem saber de si mesmos. O PICMB é um fruto e um arauto disso.

Daí utilizarmos o acostamento descaradamente. Trata-se de um espaço coletivo – que o PICMB transforma em espaço particular, à revelia dos demais. Daí a luz amarela do semáforo no Brasil ser um sinal para avançar, que ainda dá tempo – enquanto no Japão, por exemplo, é um sinal para parar, que não dá mais tempo. Nada traduz melhor nossa sanha por avançar sobre o outro, sobre o espaço do outro, sobre o tempo do outro. Parar no amarelo significaria oferecer a sua contribuição individual, em nome da coletividade, para que o sistema funcione para todos. Uma coisa que o PICMB prefere morrer antes a ter de fazer.

Por fim, um teste simples para identificar outras atitudes que definem o PICMB: liste as coisas que você teria que fazer se saísse do Brasil hoje para morar em Berlim ou em Toronto ou em Sidney. Lavar a própria roupa, arrumar a própria casa. Usar o transporte público. Respeitar a faixa de pedestres, tanto a pé quanto atrás de um volante. Esperar a sua vez. Compreender que as leis são feitas para todos, inclusive para você. Aceitar que todos os cidadãos tem os mesmos direitos e os mesmo deveres – não há cidadãos de primeira classe e excluídos. Não oferecer mimos que possam ser confundidos com propina. Não manter um caixa 2 que lhe permita burlar o fisco. Entender que a coisa pública é de todos – e não uma terra de ninguém à sua disposição para fincar o garfo. Ser honesto, ser justo, ser pontual. Se tudo isso lhe for intragável, não tenha dúvida: você está se transformando num PICMB. Reaja.

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114 Comentários.

  1. Adriano, o texto – mais uma vez – é excelente.
    Guardadas as proporções, se ampliarmos o degrau da “riqueza” e formos ver o que está sendo vendido sobre a apregoada ‘nova classe C’, é uma grande falácia populista. Foi criada uma nova fatia de (maus) consumidores. A inclusão social do jovem da periferia não acontece porque ele vai ao shopping ou tem TV de LED, Nike Air ou camiseta Abercrombie. Acontecerá de verdade quando ele for tão bom em português, matemática, geografia e história quanto qualquer outro jovem que estuda em bons colégios particulares, quando ele conseguir competir de igual para igual por um lugar em um bom curso superior ou por uma vaga no mercado de trabalho.
    Grande abraço

  2. Ótimo texto, bem menos ácido que o anterior, este deve gerar menos barulho também.
    Interessante a análise, mas acredito que isso seja uma minoria. Incomoda pacas, mas são em pequeno número os que furam a fila de carros na entrada da escola ou que andam pelo acostamento.
    Já os que gastam além da conta e se acostumam a pagar caro, aí é outra história, mas pelo menos esses defeitos não agredem diretamente o próximo, apesar de prejudicarem o todo ao não gerar uma repulsa coletiva aos preços inadmissíveis.
    Me incomoda mais o silêncio do bons. A despolitização da imensa maioria, a tolerância com o que não pode e não deve ser aceito. A multidão de eleitores que aceita que choveu parou o farol, o aeroporto e acabou a luz em casa. E ainda aparece no noticiário as regiões alagadas e os caras de pau que ano sim, ano também, comentam que não há desgoverno e sim uma chuva acima do previsto.
    Aceitamos cotidianamente como tragédias fatos perfeitamente previsíveis e gerenciáveis. Daqui a um mês estaremos novamente lamentando pelo mortos dos desabamentos.
    Acho que a maior contribuição que você presta nesta série sobre a imbecilidade é que não se conserta um país sem consertarmos primeiro a nós mesmos e aos nossos péssimos hábitos.

    Abraços

    • Concordo, Nuno, com os pontos que você agrega e também com a sublinhada que deu na responsabilidade que temos que não reproduzir essas imbecilidades em casa, bem debaixo do nosso nariz. Se conseguirmos fazer isso (não é fácil), já teremos feito uma grande coisa. Abração!

  3. adriano,
    no espaço de uma vida, é inevitável que nos enquadremos em alguma atitude vil que você citou; enquanto lia, lembrei de algumas merdas que já fiz em nome do egoísmo…gostei de ler o texto na terceira pessoa, acredito que sua intenção foi exatamente essa: provocar a reflexão do que somos e o quanto podemos mudar, se quisermos, para melhor. abçs

  4. Adrianón, esse post está muito bom. Acho que está acertando em cheio ao falar tb dessa atitudes, que chegam ao extremo de: um cara contam “eu fui morar no país X da Europa, e tinha que me virar sozinho sem empregada”. O deslumbrado fala maravilhas de lá, mas quando o cara volta pra terra, volta também aos vícios que vc descreve tão acertadamente.
    Já ouvi caras falando de ter arrebentado o cartão no free shop, comprando tudo o que existir por aí (cafonice total , eu acho). Certamente nesses lugares têm algumas coisas boas, mas francamente, pra qué comprar litros de whisky que nem vai beber. Ou madamas que reclamam do destrato nos shoppings portenhos, como máxima lembrança duma viajem pra Buenos Aires. Ou a pergunta clássica “qué tem pra comprar lá?”

  5. Fiz isso, a Diane compartilhou o primeiro da série no Face dela, e muitos replicaram.

  6. Cê esqueceu de mencionar que o PICMB sempre leva TUDO pro lado pessoal. É aquela pessoa que está tão enterrada dentro do próprio umbigo que não aprende nada, não consegue aceitar crítica nenhuma, aliás, veste a carapuça de TUDO que alguém fale ou critique sobre qualquer coisa. Isso é algo tão entranhado nesse comportamento que faz com que trabalhar, estudar, ou conversar seja algo feito pisando em ovos o tempo todo, porque o PICMB estoura seu frágil ego com qualquer coisa.

  7. não tenho palavras difíceis e nem imaginação para responder. Mas com certeza, vc deve ter sido um “outlander” durante a infância que passou muita vontade e agora tem dinheiro e o poder da palavra pra se vingar.

  8. Erika K. Lanzelotti

    Sensacional, mais uma vez!
    Desde que li a primeira parte, passei a ler também os outros textos postados no blog, e é incrível como descreve perfeitamente tudo aquilo que vivo e vejo tão de perto, todos os dias. Parabéns! Nos dá esperança de, ao compartilhar, conseguir abrir os olhos daqueles que ainda não conseguiram enxergar o quanto estes comportamentos tornam asquerosa nossa realidade.

  9. Pois é meu amigo, como sempre texto impactante, fluido e direto na ferida. Um dos exemplos de Gerson (PICMB) que tenho visto com frequência eh o sujeito que compra o aparelho que desbloqueia o sinal de TV a cabo. A criatura tem condições de pagar pelo serviço, mas acha bonito se valer dessa suposta esperteza. Conversei com um sujeito dia desses, bem sucedido financeiramente, mas que prefere usar o jailbreak no seu iPhone, pois se sente mais esperto ao não pagar pelos aplicativos. Enfim, a lista de exemplos é gigantesca e mostra uma triste realidade, que é o fato da “lei do mais esperto” estar em plena vigência por aqui. Abcs.

  10. Primeiro, parabéns pelo texto, vc espoe de forma clara e fluida temas delicados não debatidos com frequência. Mas na minha opinião – e veja, opinião….minha….rs – todos, ou quase todos nós temos pelo menos algum traço negativo desses ressaltados por vc no texto…o importante eh reconhece-lo e esforçar-se para mudar…evoluir..eu mesmo me indentifiquei com duas coisas que falou e foi como olhar para um espelho sujo…rs, por isso obrigado…
    Acho que tudo isso poderia mudar muito com algo simples….mais leitura!!!! Muuuuuuito mais leitura para todos!!! Leitura de livros!!! De papel mesmo!!!! Acho q esse eh o primeiro passo, já que estamos largados – em educação, entre outros -por esse governo omisso……
    E por ultimo….sobre o farol amarelo, eu tinha por hábito parar no amarelo….sabe o que aconteceu? Já levei duas batidas violentas atrás do meu carro, numa das quais lesionei o pescoço…graças a Deus não houveram danos permanentes. Mas qdo li lembrei disso…conclusAo: eh menos arriscado parar no amarelo num pais como Japão…kkkkkkk abraço e mais uma vez parabéns pelo texto.

    • Obrigado pelo comentário, Carlos, e bem vindo ao Manual! Sem dúvida os comportamentos que formam o PICMB nos ameaçam a todos. Temos que nos debater, em nosso âmbito pessoal mesmo, contra isso. Precisamos construir um país onde parar no amarelo não seja uma ameaça à vida. Abração.

  11. Muito bom texto Adriano. Grande capacidade de síntese. Parabéns!

  12. Grande Adriano! Seu blog já está nos meus favoritos, e o acompanharei periodicamente. Depois de ler os dois textos que tratam desta nova figura (PICMB), sinto a necessidade de externar que, desde alguns anos, sou “vítima” de alguns PICMB. Tenho 33 anos, resido sozinho, tenho meus prazeres (cds, dvds, revistas), sou curioso em pesquisar música, cinema, fotografia… ou seja, por paixão, sou muito ligado à cultura; sinto prazer em consumir isto. No entanto, para alguns muito próximos a mim, esse consumo com cds, dvds, cinema, revistas é um grande desperdício de tempo e dinheiro. O que mais ouço é: páre de gastar com isso e compre um carro, pois vc é advogado e advogado precisa ter carro (obs.: nunca tive carro, caminho muito, tenho duas pernas que me levam a todos os lugares que preciso no dia a dia). Este é o ponto: tenho a impressão que o fato de eu não ter um carrão, pra ostestar à sociedade que “sou vitorioso, chique, refinado” leva os outros a zombarem de mim. A verdade é que a indústria automobilística não me atrai, pois para mim, ter ou não o carro do ano, não vai me tornar uma pessoa melhor. Enfim, lendo seus dois textos fez com que eu me identificasse. Por este motivo, vou acompanhar seu site, ler o seu arquivo de postagens, e ter mais argumentos para defender o ponto de vista que tenho. 😉

  13. Mestre Adriano, um texto lúcido como sempre. Filho de professores e hoje também neste meio, o “ter mais que ser” sempre foi algo que foi questionado em minha formação. Assim, vejo que é uma questão de de “berço”. Os valores que trazemos de casa e que nos acompanham pela vida. O sinal amarelo, o acostamento, entender que o porteiro do prédio e o garçom, são partes do mesmo sistema. Saber olhar para além dos nossos umbigos. Sucesso ao manual, que venha reunião da Turma!

  14. Tudo o que foi colocado – e de forma muito clara e inteligente, é também (ou, já é também) o discurso de muita gente dentro do país e fora dele. Ouvi uma vez que essa desordem, esse caos que a gente vive é reflexo da política “desgovernada”. Metrôs lotados, empurra-empurra, isso só existe porque somos desprezados, esquecidos, postos às margens. E aí, resta-nos tentar sobreviver cada um por si. “Vale-tudo”! É uma sensação muito esquisita, triste e agonizante pensar que você vive meio a essa loucura. Na sua opinião Adriano, há esperança de mudança? Como você acha que as coisas poderiam começar a pegar um formato diferente até que as infrações, o desrespeito, o egoísmo, todas as idiotices pudessem se amenizar por aqui?

  15. Não sou de corrigir ou indicar erros, mas gosto de refletir sobre outros pontos de vista. Raros são os momentos em que me coloco pensando sobre determinados textos vistos na WEB e o seu é um deles. Parabéns !!!

    Primeiro, os preços aumentam a nossa volta por outros motivos que a própria escolha de consumir. Os gastos públicos são fruto da adminstração pública. Para pagar tributos brasileiros trabalham pelo menos 3 meses do ano. Pela sua lógica, o próprio Governo também poderia se valer da lógica do PICMB, cada vez mais aumenta alíquotas. E tributos são uma forma de justiça distributiva para compensar desigualdades. Curiosamente, é o mesmo Governo que não trata seus cidadãos com igual respeito, quem um dia ocupou o Poder Executivo é capaz de influenciar o Poder Judiciário (mensaleiros). Como a Lei vai valer para todos, se os que ocupam o poder conseguem dentro do sistema legal burlar-lo?

    A valorização do dólar tem mais haver com atração de investimentos, taxa de juros do FED do que com a escolha do que fazer com o próprio dinheiro. Está certo que o consumidor é o lado mais forte em uma economia, mas muitas vezes é desrespeitado. Além de que, os EUA sabem como retirar dólares dos países emergentes. Muito provavelmente, mais uma vez em termos de justiça social distributiva, deveria pagar mais tributos quem consome mais. Perceba, R$ 2,35 em uma passagem de ônibus quase um real é de tributo, o trabalhador que sua no final do mês para pagar suas contas sofre muito mais do que um PICMB e o que é pior, o governo não faz nada por ele. Logo, como tratar todos com igual respeito em uma sociedade?

    É ai que reside o busilis do artigo, decisões morais (como a forma de tratar os outros, respeitar filas, individualismo, etc) discrepam e muito do status social, do nível de riqueza, do tanto de dinheiro que alguém possui em determinado momento. É por isso que existe a Esquerda Caviar falam muito do nível de escolhas consumistas, mas não fazem nada além de discursar um conteúdo vazio descendo o sarrafo sobre o que se consome e os que consomem, mas na verdade não há nada de errado com o consumo, desde que não seja desenfreado ou supérfluo. Como você pode reparar concordo com pontos de vistas seus, mas discordo quanto algumas associações feitas.

    Associar apenas as classes econômicas é reviver Marx, uma postura maniqueísta onde o mundo só poderia ser bipolar, preto ou branco. E basta viver um pouco para se perceber que na vida existem várias gradações de cinzas.

    obrigado 😀

  16. Amei os 2 textos! Certa vez entrei numa loja para comprar um item de maquiagem, a dona da loja viu meu celular e disse que eu “precisava” comprar um case da Luis Vitton porque estava com desconto e tal, agradeçi e disse que não precisava, ela insistiu em afirmar que TODO mundo gostaria de ter o item, que eu iria despertar a InVEJA nas minhas amigas, enfim, encerrei o assunto quando disse que o empresario dono desta “marca” deveria me pagar para eu fazer sua divulgação! Ela se calou , não esperava a rejeição! Rsrsrs

  17. Adriano, gostei muito do texto. Falo sempre desse assunto e no meu meio sempre o que escuto é a negação, buscando justificativas para as ações. Faltou você mencionar que o PCIMB réplica esse tipo de texto como se não fosse com ele e no minuto seguinte posta uma foto em alguma praia exclusiva, num camarote ou em alguma situação “cara” (restaurante, tomando champagne ou algo do gênero). Infelizmente estamos muito longe dos países realmente desenvolvidos. Não podemos nos esquecer que os PCIMB que administram esse pais ou trabalham em órgãos públicos, muitas vezes forçam os demais a aderirem a corrupção ou propinas para exclusividades (basta ver o funcionamento dos DETRANS com multas que não existem, serviços que te reprovam até que vc pague algo). Enfim, seguimos lutando contra isso e a discussão que se abre com estes textos certamente é um bom ponta pé inicial. Abs

  18. Olá Adriano , durante décadas fui tripulante de cabine da VARIG e posso lhe assegurar com toda certeza que o PICMB já existe há muito tempo. Não havia coisa mais risível do que o vôo MIAMI/RIO. Muitos PICMB ” esqueciam” até o português depois de uma semana nos States, quando queriam alguma coisa a bordo, falavam “pliz” e logo se desculpavam por ter usado o inglês . Durante todo o vôo o que mais se escutava , nas conversas entre os PICMB, era : Oh my god !. Achavam chic. Enfim nossos PICMB são uns perfeitos idiotas.Abraços e obrigado por tão lúcido texto .

  19. Prezado Adriano. Acabei de ler o seu texto e penso que são válidas todas as suas considerações. Sou professor universitário e, infelizmente, a grande maioria dos professores se encaixa no perfil que você descreveu. Não é uma questão só de educação formal ou falta de leitura, mas uma questão cultural que nos é ensinada desde a infância. Um exemplo do tipo de coisa que você fala de que me recordo: Quando eu estava na faculdade, eu assinava a Folha de São Paulo e como o porteiro no prédio que eu morava não trabalhava aos Domingos, o rapaz jogava o jornal debaixo do portão e se eu deixasse para pegar o jornal às 09:00, alguém já o havia extraviado. Mas não estou falando de pessoas sem instrução, pois só moravam no prédio estudantes da USP. Esse lema de levar vantagem em tudo não depende de classe social, mas está enraizado na grande maioria dos brasileiros.

  20. Adriano, parabéns pelo texto!
    Realmente vivemos em um país onde é normal a “cultura VIP”, onde todos se acham exclusivos por pagar a mais e ostentar marcas o que os tornam totalmente comum aos outros.
    Outro ponto é o pacote “all inclusive” que é muito comum hoje em dia, por exemplo em um restaurante você paga o valet(que muitas vezes deixam seu carro na rua), serviço(mesmo que não tenha sido bem atendido as pessoas te julgam por não querer pagar o serviço), preço alto(pratos comuns por mais de R$90,00 em lugares que exista “alta temporada”) e também coisas absurdas como pagar pelo gelo no copo, e quando você crítica essas valores é julgado como uma pessoa avarenta.

  21. RICARDO DOURADO DE A LIMA

    Concordo com texto mas existe ai um fenômeno que precisa de mais estudos e é um pouco mais complexo . Digo sobre o comportamento desses Brasileiros em determinados locais . Exemplo: Brasileiros em Orlando e Miami . Não se falam , fingem que não são Brasileiros a não ser quando precisam de ajuda no Inglês, devem ser 80 % dos fregueses dos outlets em Orlando , facilmente identificados arrastando malas e abarrotados de sacolas ,mal conhecem a cidade a não ser os malls e Parques.Na Europa principalmente em países menos Badalados tem outro comportamento: São Educados , muitas vezes felizes em encontrar outros Compatriotas , ajudam com dicas , endereços ,respeitam as filas, dão gorjetas ,estão nos Museus , nada de sacolas e sacolas .Viajo bastante e sou um observador desses comportamentos e posso garantir que não tem povo mais bem recebido em qualquer parte do Mundo do que nós Brasileiros .É sempre uma festa quando nos identificamos. Seja pela gastança ou seja pela exagerada admiração que o Brasileiro tem pelo Gringo. Seja ele Americano, Europeu ou Africano.

  22. Parabéns pelo texto. Talvez tudo isso ocorra pois o brasileiro, como diz Cristovam Buarque, quer ser rico sem deixar de ser pobre. Abç

  23. Só não concordo que o valor dos estacionamentos foi inflacionado por perdulários da classe média.

    O valor apenas reflete outros 2 aumentos: O do número de carros e o dos imóveis. Só o aumento dos imóveis já explica a subida de 10 p/ 25 reais no valor da hora. A tendência é o valor do estacionamento se equiparar ao do taxi.

    Agora, tênis de 500 reais é um fenômeno bem brasileiro. E quando reclamei do preço, o vendedor disse “Pode parcelar”…haha.

  24. Bom dia Adriano Silva!

    Quero parabenizá-lo pelos belíssimos artigos. Nunca tinha lido algo tão bem descritivo sobre PICMB. Tenho propriedade de convivência e te garanto que não dei conta, caí fora…rsrs Embora longe de mim me eximir de alguns itens da lista,mas, fiquei feliz por ser um número bem pequeno…rsrrs

    Grande abraço!

  25. Adriano, descobri o seu primeiro texto ontem e só hoje o segundo, mas mergulhei em cada frase deles…
    Moro na Suécia há quase vinte anos e a cada visita que faco ao Brasil me sinto mais e mais impressionada com o que vejo. Alguns dos meus amigos, que eram pobres, entraram na classe média, o que é muito positivo e agem de forma sem muito escrúpulo em relacão ao dinheiro e adoram ostentar. Eu percebo que a maioria passou longe de uma livraria nas últimas décadas, mas se concentraram muito em seus trabalhos… Adoram dizer que trabalham mais do que nós aqui na Escandinávia e por isso não têm tempo para adquirirem mais “cultura”. O ter é uma palavra muito forte em suas vidas e a pressão em manter o que conseguiram faz com que mergulhem ainda mais no trabalho, perdendo assim o contato com os filhos, que muitas vezes aprendem até a falar com o sotaque nordestino da babá, mesmo morando em São Paulo. São coisas de filme de ficcão científica a meu ver 😀

  26. Ahhh… Não posso esquecer de dizer que amo o Brasil, mas acho que não consigo mais viver nele.

  27. Adriano, parabéns pelo texto. De forma lúcida e com fluidez, você faz uma sintética e irretocável análise de nossa sociedade… lembrou-me os textos do Daniel Piza.
    No entanto, ao final da leitura, tive dois sentimentos dicotômicos: credulidade e ceticismo! Credulidade porque sim, temos mentes pensantes, inclusive por todos os posts, que questionam o status quo e que podem fazer a diferença… no entanto, o ceticismo deriva da leitura diária dos noticiários… há momentos que acho que há tanto PICMB que temo, a ideia seja encampada e lancem um novo partido político sob a sigla PICMB!! Mas ok, a esperança ainda é a última que morre! Prefiro acreditar que ainda será possível uma mudança verdadeira em todos nós, por todos nós e através de nós!!

    • Oi, Dani. Eu acho que temos que fazer a nossa parte. Operar em nosso mundo e no que está ao redor ou sob nossa responsabilidade. Eis a nossa contribuição. Detesto os caras que andam no acostamento, furam fila para deixar o filho da escola particular, jogam lixo pela janela de suas SUVs. E deixo isso o mais claro possível a eles. Mais importante do que isso, quero crer, é coibir esse tipo de comportamento PICMB em minha própria família. Beijo e bem vinda ao Manual!

  28. Adriano, li os dois artigos. Achei simplesmente fantásticos. E verdadeiros. Bem a nossa realidade. Coisas como os preços absurdos que pagamos por produtos e serviços (ruins na maioria das vezes) e a falta de senso coletivo e de cidadania me tiram do serio. Parabéns de novo.

  29. O seu texto é tão bom que estranhei não se chamar “O Perfeito Idiota Brasileiro de Classe Média – PIBCM” como recomendaria o bom uso da língua portuguesa. Seja como for, está de parabéns, pela inteligência com que dispôs as ideias. :smile:

  30. “Os americanos, para não irmos muito longe, respeitam muito cada dólar que tem na carteira. Por isso o dólar é valorizado. A valorização cambial de uma moeda começa na valorização que os usuários fazem dela individualmente, dentro do seu próprio bolso”
    Isso é o que entrega a sua única falha nos dois textos, a existência do idiota, ao meu ver está diretamente relacionada com o consumismo moderno, “inventado” pelos americanos, americanos esses que hipotecam a casa várias vezes para poder consumir vorazmente todo tipo de produto, a única diferença é que a gente ainda está parado no consumo de marcas de roupa e eles já estão um patamar acima, consumindo carros de marca e bairros de marca. Pra mim não existe diferença entre o “American Idiot” e o idiota brasileiro, é só uma questão de escala, então foi um pouco irresponsável fazer isso parecer problema de terceiro mundo, ou problema de brasileiro, sim, os brasileiros são “piores” muitas vezes, mas isso faz parte da nossa estrutura social.
    No demais, infelizmente não podemos culpar os indivíduos que assim agem, pois eles são doutrinados desde cedo, como você mesmo cita no primeiro texto, pela sociedade toda, até pela própria mãe que deveria te-lo educado, depois que chegou na vida adulta e começa a gastar o dinheiro fica muito difícil fazer com que ele pare e pense.

  31. Hahahaha!!! Adriano, estou amando ler seus textos! Parece que tudo que sempre pensei e nunca soube explicar, você colocou perfeitamente com suas palavras sábias. Nota 1000 para você!! Mas além de gostar de ler, me divirto muito lendo os comentários, pois pode se ver claramente que as pessoas que te criticam, e até muitas vezes são rudes com as palavras, são os próprios PICMB, que como foi citado aqui pela Suzana, eles não aceitam críticas, e vestem a carapuça de TUDO!!

  32. Engraçado é que os que comentam identificam isso nos OUTROS. Uma piada essa “classe média”.
    Na verdade tudo o que você falou é fruto do poder de compra e de como a sociedade se moldou sob a influência de outros países, desde a colonização até os tempos de internet.
    Acho que cada um faz o que bem entende com sua vida. Diversas situações aparentemente antagônicas descritas acabam coexistindo na personalidade de muita gente. Queria saber o que é investir bem o $ para o douto blogueiro.

    • Oi, Felipe. Obrigado pelo “douto”! Acho que, mais do que tudo, escapar ao comportamento PICMB significa cumprir suas obrigações e não ficar imaginando que tem alguma grana só tem direitos a usufruir, respeitar o outro e os demais, construir relações sustentáveis, ser ético e cidadão. O resto pode. Abrx.

  33. tenho amigos empresários e prof. liberais “bem de vida” que usam o argumento de que o governo rouba muito, para justificarem a sonegação de impostos que cometem. Mas, e os assalariados que não têm essa opção? Que já pagam direto na fonte? “Ah, azar o deles, né?”… Ah, sei…

  34. Achei instrutivo os dois artigos, muito embora tenha notado uma sutil tendência ao didático!
    Quanto ao autor, embora tenha criado este novo rótulo – PICMB, para dissertar sobre o mesmo, fiquei também com a ligeira impressão de que poderemos dissertar também sobre o não pertencimento.
    O que é o não pertencimento senão a critica pura e simples ao meio ao qual pertencemos mas não nos inserimos!
    Pelo que leio dos artigos do autor, e para ser franco, também me identifico, nada mais é que o reflexo da educação herdada dos pais, onde a prioridade é o ser e não o ter, mas que nos dias atuais, deixou de ter valor.O autor não deve desconhecer, tendo em vista sua origem, de que nos meios em que vive na grande Metrópole como SP e outras, há que se ter este comportamento, pois do contrário, será irremediavelmente marginalizado.
    Quanto a proceder de forma correta, seguindo o politicamente correto, e imitando o costume de outros povos como citado, cabe a cada um individualmente esta opção, pois os de berço, que podem se diferenciar, continuarão a faze-lo.
    Se posso ir a um ambiente saudável, seletivo em virtude dos preços cobrados, não me sentiria bem por exemplo, compartilhando um almoço, uma peça teatral, cinema, balada enfim, seja lá o que for, tendo ao meu lado um bando de arruaçeiros que além de não saberem se comportarem, fazem questão de incomodarem, com o único propósito de se fazerem notar.
    As pessoas acredito eu, não só podem como devem buscar sua ascensão cultural, econômica e politica, mas jamais, embarcarem na utopia de sermos todos iguais.
    Como exemplo, cito parte de uma crônica lida, da qual não me recordo o autor, em que ele dizia: ” … deixem toda a população de uma Nação com apenas 50 reais, e passado algum tempo, o que aconteceria?
    Reflitam e tirem suas conclusões!

  35. Rosângela Aguiar

    😛 Muito Bom! Parabens! Voce traduziu perfeitamente a forma como muitos brasileiros sao, claro que nao podemos generalizar. E te digo,sou uma das pessoas que compartilhou seu primeiro texto e vou compartilhar este. Li com minha filha adolescente, que identificou amigas, amigos, conhecidos, da geracao dela (hoje com 17 anos)como verdadeiros PICMB. Simplesmente perfeito!

  36. Maravilha, Adriano. Continue a série, por favor.
    Faz me lembrar uma outra maravilha de texto, do Wagner Carelli nos anos 90: “O malcriado brasileiro.”

  37. Você não acha, Adriano, que, mal comparando, a sociedade brasileira se comporta como um adolescente, que quer pegar o carro do pai para dar um “rolezinhos” com os amigos e se exibir, mas não faz ideia de onde vem o dinheiro para pagar as contas? Um adolescente que olha apenas para o umbigo e quer todos os direitos do mundo, mas sem se responsabilizar pelos deveres? Para mim, somos subdesenvolvidos justamente por não querermos amadurecer, o que implicar parar de querer tudo de “mão beijada” do Estado, abrir mão do consumo inconsequente e fazer certos sacrifícios (como poupar, estudar) hoje para garantir a prosperidade amanhã. Será que estou errado?

  38. Meu querido amigo, você ganhou meu respeito!!!
    Li seu primeiro texto e achei espetacular.Sou de classe média,passei em Concurso Público Federal e tenho uma ótima condição financeira graças a deus.Sabe o que aprendi depois de ter um pouco de dinheiro que antes não.Ter humildade.Não tenho a menor vontade de ir a Orlando gastar com futilidade,nem comprar playstation 4 por 4 mil reais apesar de gostar de games e muito menos gastar com futilidade.Prefiro gastar meu dinheiro com uma coisa que deveria ser básica na vida de qualquer ser humano.Uma casa.Prefiro ter conforto de deitar em uma cama com o dever da missão comprida do que parecer rico sem a menor necessidade disso.Adorei seu pensamento e virei seu fã.Parabéns!!

  39. Sergio Tadeu G. Santos

    Achei que no texto faltou explicar porque esse “homo espertus” que não tira o prato da mesa em casa, nem guarda sua mochila ou a toalha que usou após o banho quando vai a uma praça de alimentação de shopping center ou no Macdnonalds ele tira a bandeja da mesa,levando-a até a lixeira e sem ninguém mandar e sem que haja (hoje em dia) nenhuma placa mandando fazer isto. O pessoal descobriu que é fácil desobedecer regras que vem de cima (Pai, Pastor, Padre, Professor, Patrão) mas o olho do colega manda mais, é isso?

    • Acho que o Homo espertus (boa, Sergio) miguela tudo que puder miguelar. Só se adapta a regras de bom convívio quando é absolutamente impossível deixar de fazê-lo. Grande abraço, Sergio, e bem vindo ao Manual!

  40. Nossa muito bom o texto, expressou muita coisa que penso todo dia e me fez sentir menos excluída pois tinha a sensação que só eu pensava diferente. Devido a esta infestação de Picmb tenho vontade de sair do Brasil. Abçs parabens

  41. Parabens Adriano, excelente reflexao, ja vivi alguns anos no exterior inclusive Toronto, e e´exatamente oque vc listou neste artigo oque um cidadao comum vive la fora.abç

  42. Muito boa apresentação do nosso caro cidadão que coloca a bike no carro para dar uma voltinha na ciclofaixa, mas nunca ir de bike o percurso inteiro para não ser confundido com um entregador.
    Eu chamo o PICMB carinhosamente de Horácio, o bracinho curto, e desconfio que estão se procriando assexuadamente, tá virando praga.

  43. Ótimo texto, muitas atitudes nossas culturalmente se aproximam da idiotia. O texto é excelente para uma reflexão sobre nós mesmos, respeito ao próximo e ao coletivo. OBRIGADO!!!!

  44. De novo, arrasou!

  45. Adriano, as duas últimas vezes em que estive em São Paulo (uma a serviço e outra a passeio) me deparei com grupos de estudantes desses colégios carésimos conversando em inglês no metrô. Acho que é um sintoma desse horror de parecer pobre…

  46. Estranho. Quando criança, na década de 80, o sonho da família era poder comprar um carro que aguentasse a viagem até Santos sem parar.

    Sonhávamos em ser a tal “classe média”.

    Hoje classe média é tudo e todos.
    Reconheço bem esse perfil citado, ma discordando de você e Marilena Chauí, não acredito que seja a tal classe média. Nem a de 80, nem a de

  47. Olá Adriano! Adorei as coisas q você escreveu e cada vez mais estou tomando consciência que sou e estou criando 3 PICMB’s!!! Socorro!!!
    É terrível mas ao mesmo tempo divertido ler e reconhecer muitos dos quais eu convivo entre as características descritas por você! SIM!!! Cuidado ao máximo com muitas coisas básicas, principalmente com a educação das crianças e antes de mais nada, MUITO respeito ao próximo! Ficarei
    atenta. Obrigada pelos seus textos!

  48. NICOLAS MAGALHAES

    Caro Adriano
    Texto perfeito!! Concordo plenamente contigo, e sou também um PICMB :mrgreen: e de certa forma me envergonho por isso. 😳
    Abraços

  49. Valeska Fatureto Lopes

    Olha Adriano, Ariano Suassuna, nosso grande poeta e brasileiro, resume bem esse,tipo, em uma histótia: – Você já foi à Disney?https://m.youtube.com/watch?v=JvmPSEKMhlo
    acredito que pra evitar esse tipo de situação e pessoas, só muito Ariano Suassuna e Brasil na veia. Vamos parar com esse complexo de colonizados, gente!

  50. Parabéns pelo texto Adriano, esse comportamento de consumo que segrega parte da população só aumenta a violência urbana.

  51. Esse texto parte de um ponto de vista tão colonizado quanto o do PICMB. Em qualquer cidade de grande ou médio porte do mundo há lixo no chão. Atravessar fora da faixa é coisa que se faz em qualquer país. Todos os sistemas de transporte no mundo comportam contraventores. E, é óbvio, se a regra de vida é sempre a da exploração do tempo e do trabalho alheio, todo reconhecimento da coletividade nunca será mais do que uma forma de distinção dos ricos contra os pobres. E só a classe média, idiota ou não, é que continua fazendo apelo a ideais de justiça apenas porque não pode comprar sua cota devida com dinheiro.

  52. Gostei muito do texto. Sou editor-chefe da Revista Púlpito e gostaria de convidá-lo a ler um dos meus textos, talvez me dizendo o quê achou. Não busco através deste canal, expandir o “número de cliques” no meu site, rssssssssssssss, . . . portanto, sinta-se à vontade para apgar o post assim que ler.

    Um forte abraço,

    Renato Daidone

    Link do texto que eu gostaria que lesse e opinasse – http://www.revistapulpito.com.br/2014/04/voce-e-mediocre.html

  53. O perfeito idiota da classe média foi educado pela TV Globo.

  54. Muito bom esse texto ( o n°I idem)excelente!Exatamente o que eu penso em relação a esse consumismo maluco em ostentar “marcas”.Bem diz meu filho em relação a isso:Não sou outdoor!

  55. Adriano,
    Comparando as duas culturas, a nossa com a chinesa, no ponto de vista consumismo e outdoor de grife, o comportamento esta semelhante. Estah aih um estudo que vale a pena ser aprofundado. Os asiaticos em geral perguntam se nao tem a camiseta com o cavalinho ou o jacare maiores! Agora ate ja tem as com o polo GIGANTE na frente da camiseta…
    Moro em Sydney e soh tiro meu carro da garagem qdo tenho certeza que irei encontrar estacionamento no meu destino. Vou a praia de onibus pq e mais comfortavel (aqui os bus tem ar condicionado), pois as horas de estacionamento sao limitadas e meus amigos brasileiros ficam chocados!
    Voce acertou em cheio na sua analise e eu completo e concordo em parte com que a Carime Damous falou ai em cima sobre a rede Globo. Sera uma sindrome de abertura da Ditadura?

  56. Adriano,

    Belo texto, concordo em grande parte com o que você disse. É uma generalização, mas de fato muitos desses itens infelizmente estão presentes em muitos de nós brasileiros.

    Eu só discordo de um item, sobre a Pechincha e sugiro que façamos um reflexão disso. Vamos supor que você é um autônomo (dentista), que cobra um preço justo pelo seu serviço. Ou blogueiro mesmo, que vive disso e cobra pelo seu espaço um preço que classifica como justo. Ou até um empresário que cobra pelo seu produto/serviço o preço que classifica como justo pelo seu trabalho. Quando alguém vai consumir qualquer um desses produtos/serviços, você acha correto que esse alguém tente negociar a um preço que ele classifica como justo, você concorda que ele deve negociar o máximo e fazer com que você fique com o menor lucro possível ? Obviamente existem pessoas/empresas que cobram valores exorbitantes ou margens acima do mercado ou do aceitável, mas isso tem que ser a exceção e não a regra. Se adotarmos a política do vamos todos pechinchar porque valorizamos nosso dinheiro (lembre-se que alguém vai pechinchar pra você também) o mercado certamente vai cobrar valores injustos. Entende onde quero chegar?

    Voltando ao PIB, eu acredito que, na maioria dos casos, ele faz justamente o contrário, tenta pechinchar ao máximo, pois assim ele consegue pagar menos e comprar mais. Assim, ele sente que saiu na vantagem, que é o esperto que sabe negociar e que consegue pagar mais barato que os outros. Não está preocupado no coletivo, não se importa que o outro tem contas para pagar. A única preocupação é em si próprio, em como ele pode economizar para ter mais e sair por cima.

    Veja bem, se assumirmos que todo mundo cobra caro e por isso devemos pechinchar, também não seria certo falsificarmos carteirinhas para pagarmos meia porque todo o mercado cobra o preço da meia como inteira ?

    • Oi, Enzo. Obrigado por ler e por comentar. Bem vindo ao Manual! Pechinchar é sempre bom. Aqui no Brasil deveríamos negociar mais. O país está muito caro. E os preços são isso: uma negociação entre vendedor e comprador. Isso evidentemente não tem nada a ver com a burla a que você se referiu. Abração!

  57. Parabéns meu caro! Raramente consigo ver uma análise sociologica tao clara e ao mesmo tempo profunda. So temo que o Homo espertus evolua para Homo espertus bandidus ao ver que cada dia seus “malfeitos” sao “perdoados” dando por tanto mais e mais espaco para amplificar seu escopo e abrangência…..

  58. Acho incrível você ter essa essa clareza a tanto tempo Adriano e não se deixar abater por ela. Eu “que era cego e agora tenho apenas uns 12 graus de miopia” rs já estou deprimido com o pouco de realidade que enxergo e não consigo me encontrar mais na nossa cultura PIB. Mais triste ainda fico por não ter grana pra fugir pra Europa. E quero morrer ao pensar que nada adiantaria pq lá também não me sinto em casa já que não sou nativo. Me sinto atualmente num completo vácuo e quanto mais leio e me afasto das pequenas alegrias mundanas dos Outlets menos sentido nessa vida eu vejo rs. Me perdoe o tom e espero que eu consiga mudá-lo para uma forma de expressão mais construtiva (me falta palava melhor agora) como a sua.

  59. O bom da classe média é que as pessoas podem detoná-la, sem levar a pecha de preconceituoso.

  60. Perfeição de artigo amigo. Morei 27 anos em NY, e minha tentativa de voltar a morar aqui no Brasil durou 3 anos, sendo que em alguns meses regresso p a America p ficar.

    O PIB não se restringe a classe media, apesar dela ter o maior numero de idiotas. Se espalha de uma maneira global pelos novos ricos, pelos pobres que usam a bolsa família de 10 meses para comprar seu smartphone na loja da Apple, pelos traficantes e bandidos que fazem questão de roubar somente calcados de marca. O PIB esta no DNA do Brasileiro. Do perfeito “Espertinho”, que quando recebe troco a mais no supermercado, sai rindo e corre para contar para os amigos ao invés de devolve-lo.

    Do parasita aceito com carte blanche pelos valores da sociedade daqui. Sociedade essa que virou símbolo de deboche, consumismo excessivo, incomodo e desconfiança em quase todos os países desenvolvidos pelo mundo afora. Sociedade essa que foi amplificada por um governo pútrido infestado de maus exemplos, escolhido por ela mesma, que não hesita em segui-los.

    Enfim, que Deus nos ajude, pois Brasileiro tenho certeza que ele não e.

  61. Ola Adriano

    Descobri o seu texto por acaso e adorei.
    Vivo ja ha mais de 30 anos na Inglaterra e ja Venha por muitos
    Outros anos buscando a melhor maneira de descrever o povo brasileiro e suas attitudes, principalmente aqueles que flocam para Miami, para meu marido, filhos e familiares que Sao todos ingleses e muito bem educados.

    Voce descreveu exatamente como eu buscava. Quanto ir a maiami, eles tem que ir onde se sentem Comfortaveis. Povo miamense e como os picmb ( so fachada Sem conteudo solido). Continue o bom trabalho

  62. Amei o seu texto, expressa muito o que eu sinto e penso do brasileiro, ainda acrescento a raiva que me dá do brasileiro que deprecia o próprio país e que acha que aqui nada presta, tudo lá fora é perfeito, é melhor, e que, por incrível que pareça, elogia a educação do povo do outro país, mas não é capaz de ser educado e gentil no país em que vive e de que tanto fala mal. Temos sim nossos problemas, mas viver aqui e viver falando que outro país é melhor, é muito ridículo.

  63. https://www.youtube.com/watch?v=_Zc7gBKV_Vg
    E se alguém não entender o que está escrito, pois a classe média precisa aprender a ter Cultura, Informação e Educação e o que realmente classifica essa classe é o que são gastos com esses itens (1/3 dos ganhos familiar), tá aqui uma musiquinha que mostra também os novos PICMB. Amei o texto. 😀

  64. O mais engraçado é os PICMBs que sentem a carapuça encaixar perfeitamente virem com o argumento fajuto que a classe média carrega este país, que idiota!! Este pequeno burguês estoura o cartão, vive com a corda no pescoço, lança mão de expedientes escusos, quer virar empresário sem ter condições entre outras aventuras que só nasce na mente destes debeis mentais que realmente não entendem nada de política e economia além do que assistem no jornal nacional…claro que carregam nas costas, mas não o país e sim suas loucuras e devaneios de quererem se sentirem ricos a qualquer custo; na minha opinião e esta parte medíocre que sociedade que impedem este país de crescer, porque pobre não financia Fusion que aqui custar três vezes mais que lá fora, não gasta R$ 200,00 em shows ou compra casas em bairros de ricos a prestações a perder de vista e assim inflam tudo, pela lei da proporção o pobre é que acaba carregando o país nas costas pois são eles que sofrem com os preços de produtos básicos como alimentos e etc…mas como Deus é justo já vi muito classe média metido a rico cair (por culpa de suas próprias maluquices) para nunca mais levantar, o banco vem e toma a casa, o carro e a esposa (quando é jovem e bonitona é claro) pula fora do barco quando vê o naufrágio, e o corno pequeno burguês…este sempre se fode.

    Excelente texto..a verdade doí em muita gente!!

  65. Perfeito ponto de vista sobre o brasileiro. Que realmente age, vive e busca ser um ser superior. Foram colocações que identificam qualquer brasileiro residente no Brasil atual. parabenizo suas colocações, que para mim são reais infelizmente para nação brasileira.

  66. Adriano, tudo bem?

    Gostei muito do seu primeiro texto e agora deste também.
    Gostaria de saber sua opinião sobre esse mundo de tecnologia e redes sociais que tem nos abatido. Toda a “ostentação” que existe nos perfis sociais, lotados de rostos felizes de selfies que tiramos todo o tempo, a vontade de mostrar o que se faz a cada minuto, também pode ser uma característica de um PICMB?
    Eu acredito que sim.

    E… Infelizmente me identifiquei com algumas coisas que você citou e vou seguir seu conselho: Reagir!

    Obrigada!

    Bjos

    • Oi, Carol. Obrigado por ler e comentar. Acho que as redes sociais só amplificam o que somos, o que sempre fomos. É uma vitrine. O que expomos lá é público e pode reverberar. Isso pode ser bom e isso pode ser péssimo. Beijo.

  67. Adriano, como dizem “antes tarde do que nunca”, ontem 23/11/2015, ouvindo a rádio no carro me deparei com sua entrevista e ao chegar em casa entrei na internet e li o seu verdadeiro e profundo texto…Li há muitos anos, o livro do Eduardo Bueno “Náufragos e Degredados”, daí concluí que esse “jeitinho” do brasileiro é algo herdado no DNA daqueles degredados que Portugal nos “presenteou” no passado. Não é possível haver tanta bandalheira neste país, e TANTA IMPUNIDADE !

  68. Oi Adriano. Excelente textos, tanto a 1a quanto a 2a parte. Somente hoje tive acesso aos mesmos, com alguém que compartilhou no Facebook.
    Moro e trabalho na Suiça há uma década. Parte da minha infância passei na França. Sei muito bem os valores que sociedades avançadas cultivam, e que infelizmente no Brasil ainda não estão nem a vista.
    Sem querer politizar muito, eu adicionaria a sua lista de caraterísticas da PICMB a atual “crise” ideológica dessa classe com relação aos programas sociais do governo PT, que vem promovendo melhor distribuição de renda e inclusão social (características de países super avançados), intolerável para a PICMB (imagina, ir ao restaurante no shopping de luxo e encontrar o porteiro do condomínio na mesa ao lado, que horror!), que na sua ignorância, misturando e generalizando wrong-doings de alguns membros do governo, como se somente o PT tivesse esse tipo de elementos e tivesse feito coisa errada (e aqui deixo claro que qualquer ação criminosa, de quem quer que seja, tem que ser punida, e também não minimizo os atuais problemas econômicos do país em parte por má administração do governo, mas o processo democrático tem que prevalecer, sem golpismos estilo bananas-republic), passou a se identificar com uma nefasta direita fascista, e até mesmo com regimes militares. Triste.
    Um abraço.

  69. Adriano,

    Além de todas as críticas já feitas ao padrão de comportamento de uma parcela da classe média, eu ainda acrescentaria o conservadorismo político que é tão grave ou pior do que todos os comportamentos já elencados. Este conservadorismo político faz com que as mudanças sociais caminhem em câmara lenta e que o país se arraste ao invés de caminhar.
    Mas pior ainda do que todas as idiotices da classe média brasileira é o comportamento dos muito ricos, o 0,01% da população (estes verdadeiramente ricos), que em muitos casos, além de se apropriarem de forma criminosa dos recursos existentes (usando as mais variadas estratégias de corrupção, sonegação, informação privilegiada, monopólios, fraudes, etc…) enxergam aos demais com absoluto desprezo e os vêm como objetos a serem utilizados para aumentarem ainda mais suas posses.
    Aos pobres também cabe uma crítica pesada por sua idiotice, por preferirem “bater picareta no asfalto com sol quente” do que pegarem um livro e um lápis para estudarem (para ficar apenas neste exemplo).
    Os governantes e políticos também não ficam para trás em “idiotice”, sem nunca priorizarem a educação, tolhem o país do desenvolvimento pleno de suas potencialidades.
    Para onde quer que olhemos, estamos cercados de lama (do desastre da Samarco ao noticiário político e das páginas policiais dos jornais). Por isso, milhares abandonam este país gigante, rico e maravilhoso.

  70. Acho incrivel quem tira as palavras para uma bela dança. Assim vc escreve.

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